Escolhemos o caminho da luta ao da conciliação (vladimir llyitch uliánov lenin)

domingo, 30 de junho de 2013

A PROPOSTA E OS CINCO PONTOS

A onda de indignação das ruas foi levada a reboque e se dissolveu em quimera.  Foi sufocada dentro de um conflito ideológico, adormecendo as esperanças de uma revolta.

A RUA SUPLANTA AS INSTITUIÇÕES

A proposta das ruas e os pontos cirúrgicos do planalto
O Movimento Passe Livre de São Paulo, levou as ruas milhares de estudantes, aposentados e até trabalhadores por todo Brasil. Sua maior conquista além da redução da tarifa Paulista, foi uma audiência com a presidente Dilma. Fez quase tudo certo, só perdeu o norte na hora da proposta. Em vez de utilizar a força das ruas para exigir a ré-estatização do transporte público, preferiu a conciliação do subsidio. O que lhes foi negado de pronto. Essa proposta mostrou a inexperiência bem como o caráter infantil e pequeno burguês de sua liderança.

Como prêmio de consolo, A presidente em uma estratégia brilhante, apresentou de imediato cinco pontos de reformas no sistema. Claro que o reformismo burguês não leva a nada. A história mostra com clareza os resultados insignificantes de sua natureza. Ele serve apenas como atenuador em uma luta de classes. Como disse Josef Stalin, "em se tratando de política temos que ser revolucionários e não reformistas". 

O primeiro ponto foi o econômico. A gerente do capital no Brasil deixou claro, que há uma necessidade de se preservar os fundamentos da economia capitalista. Fica garantido o dreno de duzentos bilhões de reais todos os anos para as elites, em forma de dívida pública. Todo esse capital vai  para apenas vinte mil famílias investidoras. Essa proposta foge aos apelos proletários de redistribuição da riqueza. O PIB per capto de dois mil e doze, ficou em vinte e dois mil e quatrocentos reais, por pessoa.  Isso quer dizer que uma família de quatro indivíduos, deveria ter renda anual de oitenta e um mil e seiscentos reais. O que resultaria em um salário familiar mensal de seis mil e oitocentos reais. Esse sonho torna-se impossível dentro da manutenção do atual modelo econômico. Preservando os fundamentos do sistema de exploração humana, e de escravidão assalariada, o pacto anunciado nasce em sua natureza, com princípios conservadores, reacionários e fascistas.

O segundo foi a reforma política. De olho na riqueza gerada pelo trabalhador, os abutres crescem o olho na ultima reserva direta de capital. O financiamento público de campanha, sem proibir o privado. O mandato continuará a ser um cheque em branco de quatro anos, sem reavaliação ou revogação de mandatos. Para tal, pretendem chamar o proletariado para referendar seus intentos mercantilistas. O curioso é que o plebiscito chegará já com a proposta pronta, sem consulta, e com o apoio da burocracia esquerdista. O povo não será convidado aos debates de elaboração dessa tal reforma política. Ele apenas será obrigado a comparecer para responder, e terá que escolher o mecanismo de furto do seu patrimônio.  Ele terá que fazer uma escolha, entre Alien e Predador.

Em um adendo, a Presidente enfatizou que o combate a corrupção se fará com punições mais duras aos corruptos. A forma de castigo para eles será o enquadramento, dentro dos padrões de crimes hediondos. Habilmente ela foge da discussão séria sobre a corrupção. Um Estado que nasceu e se firmou na divisão de classes, não poderá jamais combater sozinho um crime comum da classe dominante, que é a corrupção. Para que ela seja erradicada, a outra classe interessada e lesada, a proletária, precisa ter participação. Nesse caso, o controle das contas públicas pela chamada sociedade civil, seria o caminho mais sensato. Uma proposta simples e eficiente pode ser a abertura de todas as contas bancárias, de políticos e funcionários públicos com poder de decisão e negociação. O acesso direto pela internet organizaria um exército de fiscais voluntários. A Suécia já viveu essa experiência com grande êxito no combate a corrupção. Essa seria uma proposta séria, se fosse oriunda de um governo sério, que representasse de fato os interesses dos trabalhadores e não da burguesia.

O terceiro ponto foi sobre a saúde. Gerações se passaram com o mesmo discurso. Promessas de valorização de profissionais e construções de novas unidades. Aquisição de equipamentos e etc. Nós agradecemos presidente, mas já conhecíamos a sua proposta antes que ela fosse anunciada. De toda ela, o que vai ser de concreto mesmo, é a vinda dos cubanos para ensinar a pratica de uma medicina preventiva. Isso realmente é uma falta cultural séria em nossa sociedade. Está na hora de rever esse conceito.

O ponto dos transportes. Convém lembrar que o transporte no Brasil sempre foi público. A iniciativa privada começou a assumir o sistema com a privatização proposta desde a década de oitenta com a entrada em cena do Neoliberalismo. Não precisamos tecer muito sobre esse tema, por que ele em sua natureza já revela o fracasso do projeto privado. A presidente perdeu uma grade oportunidade de capitalizar o apoio das massas indignadas e estatizar os meios de locomoção proletária. Contudo, esperar uma proposta séria como a estatização, de uma aliada da burguesia exploradora, já seria uma presunção.

O último ponto foi o da educação. A presidente enfatizou que houve um avanço na última década. Ora, eu fico a me perguntar que avanço foi esse. Se considerarmos que a emissão de diplomas por instituições privadas, é avanço, então pode ser. Tivemos um aumento quantitativo de formados, mas muito pouco de qualitativo para o alto custo do investimento. As universidades privadas, que são fabricas de diplomas, são na verdade instituições técnicas para o mercado. Na contra partida, as universidades públicas que oferecem ensino superior com compromisso na formação, tiveram investimentos poucos significativos. O seguimento federal conta com apenas vinte por cento dos alunos em todo pais. A descriminação do acesso ao nível superior ainda não foi superado. O vestibular desgastado, se transformou em novo modelo de seleção humana, o Enem.  No tocante as promessas futuras da presidente, temos então as riquezas do pré-sal que ainda estão em baixo da terra, para a educação. É só ter paciência.

As ruas suplantam qualquer instituição
O MPL e a Presidente. O primeiro por inexperiência política, e com um caráter de classe de direita. O segundo, por medo da transformação radical que as ruas ofereceram para questionar as instituições burguesas, e abalar sua estrutura política. A onda de indignação das ruas foi levada a reboque e se dissolveu em quimera.  Foi sufocada dentro de um conflito ideológico, adormecendo as esperanças de uma revolta. Mais uma semente brotada no canteiro da história, e secada no jardim da contra revolução preventiva, burguesa.