Escolhemos o caminho da luta ao da conciliação (vladimir llyitch uliánov lenin)

domingo, 26 de maio de 2013

CUBA E A BATALHA DAS IDÉIAS

Da luta armada, ao desembarque no Brasil para o dia "D"
A batalha ideológica não será decidida em Brasília, mas entre Havana e Washington. Entre Daví e Golias.

A ESTRATÉGIA E A TÁTICA

Cuba desembarcará no Brasil uma vanguarda de seis mil combatentes. Em apenas meio século, os Cubanos se tornaram um dos povos mais controversos do mundo. Decidiram ousar, decidiram vencer o mais poderoso império já constituído na face da terra. Mas como explicar a união e vitalidade social de uma nação pequena, com poucas riquezas naturais, e oprimida por um injusto embargo econômico? Ela foi conduzida a um grande atraso tecnológico, mas ainda assim, se elevou a um astronômico patamar de desenvolvimento social. Também construiu uma forte e respeitável política internacional. Muitos afirmam ter sido o Socialismo o promotor da união e desenvolvimento nacional, enquanto sistema aprovado pelas massas proletárias, dois anos após a vitória da revolução que derrubou o ditador Fulgencio Batista. Outros afirmam ser uma característica do próprio povo Cubano. De uma forma ou de outra, este povo se auto-intitula graciosamente, o mais odiado ou o mais amado do mundo. São de fato protagonistas da sociedade contemporânea mundial. Cuba continua a semear nos jardins da esperança proletária, as sementes da flor murchada, do ideal democrático soviético.

Com a estratégia revolucionária para derrubar as democracias burguesas das nações ocidentais, a nação caribenha se fez valer durante o período da guerra fria, da tática de luta armada organizando o proletariado,  a fim de substituir os regimes vigentes por democracias populares. Com o fim da guerra fria, e do apoio armado Soviético, Cuba se viu forçada a mudar sua tática, no contraponto à sua inferioridade militar aos Estados Unidos. No entanto, acabava-se a luta armada, mas a batalha ideológica entre o Socialismo e o Capitalismo  migrava para outro campo.

Dentre as vitórias relevantes podemos citar Angola e Namíbia (na áfrica), Nicarágua e Venezuela (na américa).  O forte internacionalismo humanitário, e a alta formação do seu capital humano, foram fatores decisivo para essas conquistas, em um mundo unipolar do capital predador e excludente. A cada vitória de Cuba, os EUA contra-atacavam com o enrijecimento do embargo e ameaça aos seus governos aliados, a fim de sufocar a sociedade do pais e levá-la a um colapso. Essa tática Americana fracassou. Aos poucos o governo socialista Cubano foi conquistando a simpatia do proletariado internacional e seus representantes políticos, forçando os governos a fazerem concessões que hoje já concedem um espaço, ainda que pequeno, no cenário internacional.

A mais recente vitória Cubana veio da Venezuela. Hugo Chaves comprou da França, cabos de fibra ótica ligando os dois países pelo fundo do mar do caribe, a fim de levar aos Cubanos, internet de qualidade. Devido ao embargo, Cuba só tinha acesso à rede, via satélite. Além de ser um serviço caro e de baixa qualidade, não havia a possibilidade de conectar todos os lares do país com o mundo.

Os Americanos que já foram derrotados pelas armas em Praias Girón, Cuba, agora parecem sentir  mais uma amarga derrota, no dialético campo de batalha, das idéias. O terreno do conflito? É o Brasil, o gigante do sul! As armas das tropas Cubanas? O fuzil da medicina solidária. Que em nossa nação foi substituída a muito tempo pelo fuzil da medicina mercantilista.

A despeito de todos os benefícios desse desembarque aliado em terras Brasileiras, para o proletariado, convém lembrar que do lado gerencial petista, implica um certo comportamento eleitoreiro pela proximidade das eleições no próximo ano. O que justifica a atitude da direita reacionária em uivar aos quatro ventos que esse é um acordo ideológico para garantir a reeleição de Dilma Rousseff. Sim, É ideológico! Como foi ideológico os atos do neoliberal Fernando Henrique. Ele desmontou a estrutura produtiva do governo em nome do neoliberalismo. E foi aplaudido naturalmente pela burguesia. O pensamento e a postura de um governo está relacionada, ao perfil ideológico do seu governante eleito. Dialeticamente falando, os atos governamentais serão sempre de direita, de esquerda, ou de centro. Não tem como haver isenção.

Ainda dentro deste contexto, é também uma arrogância da burguesia alinhar o Governo do PT a ideologia socialista. Na verdade o continuísmo neoliberal parece ser pauta diária dos despachos governamentais. O conservadorismo econômico alinhado pelo corte de trinta bilhões, ainda esse ano, que deveriam ser investidos em educação e saúde, acabaram indo para o bolso dos especuladores capitalistas, para o pagamento da divida pública. Podemos ainda citar a privatização de portos, aeroportos e rodovias, enfraquecimento da Petrobras com os leilões do pré-sal. Além do aprofundamento da desnacionalização da economia do país. Isso nem por perto cheira a socialismo. A burguesia está reclamando de barriga cheia. No entanto, seria presunção negar a influência do misticismo Cubana, sobre as lideranças do PT.

A vinda dos médicos na verdade não preocupa as elites por sua natureza humanitária. Ela traz preocupação sim, mas pela força na disputa da consciência do trabalhador, que é de fato a força motora da economia. É  a vitória de Cuba socialista, sobre a arrogância presunçosa da América capitalista.  Esse é o medo real de Obama e das elites Americanas. Perder o gigante do sul para Cuba é inaceitável. Por esse motivo, os aliados nacionais saem em defesa, tentando formar uma cabeça de ponte para impedir o desembarque dessa vanguarda. Dentre eles podemos citar o presidente do CFM (conselho federal de medicina), Roberto Luiz D'Ávila. Ele insiste que os médicos Cubanos passem por suas mãos para serem revalidados seus diplomas. Isso não seria nada anormal, no entanto essa estratégia burguesa já se mostra como opção para o desmonte da contra partida, na batalha ideológica que Washingtom não quer perder.

O presidente do CFM se diz preocupado: "Nós não vamos permitir que a população brasileira seja atendida por médicos desqualificados e que não tiveram a sua competência avaliada". Na verdade ele está preocupado com a quebra da reserva de mercado no país, que é ocupada pelos filhos da burguesia. Até porque dentre os erros médicos computados no Brasil, segundo a OMS, 49% são dos médicos que o Dr. Roberto Luiz qualificou.

A desembarque dos médicos, apesar de protestos dos representantes do Tio San, será de grande ajuda ao proletariado Brasileiro, desprovido de tudo o que lhes é necessário para sua dignidade. O inimigo de classe é naturalmente aético. É amoral. E não respeita valores que não sejam aqueles a que consegue impor. Em se tratando do presidente do CFM, Dr. D'Ávila, são os valores de mercado e do capital em jogo, que em sua natureza reacionária, torna-se antagônico aos valores do social. Em sua visão mercantilista e classista, é inadmissível que os filhos da labuta possam dividir o mesmo espaço com os filhos do lavor.

Cuba é o resultado qualitativo do processo elíptico da história.
Se o leitor inteligente, desembarcar dentro da contradição desse conflito intra-classe da burguesia Brasileira, vai navegar por mares confusos no interior do caos, soprado por ventos de tendências duvidosas da informação midiática.

Porém abstraindo-se, até o nível da orbita conflitual, e dentro de uma visão crítica da atual conjuntura, vai conseguir enxergar claramente que  não será a burguesia nacional a protagonista do desfecho final desse conflito. A batalha ideológica não se dará em Brasília, mas entre Havana e Washington. Entre Daví e Golias.