Escolhemos o caminho da luta ao da conciliação (vladimir llyitch uliánov lenin)

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

TERRA SUOR E SANGUE

A heróica resistência de um povo
Se produzir é um direito, ocupar é um dever sagrado que deve ser conquistado pela força, se preciso for.

RIO PARDO AGONIZA

A terra sempre foi um bem comum. Desde a comuna primitiva os homens organizados em sociedade, passaram a cultivar o solo dentro de uma relação de produção coletiva. Pelo que se tem registro, foi só por volta do século XVII na Inglaterra que surgiu o "cercamento", ou seja, as propriedades passaram a ser cercadas. Esse comportamento sistêmico fez parte do processo de desenvolvimento das relações capitalistas. 

As mesmas relações ultrapassaram as fronteiras do além mar com a vinda de conquistadores, e se desenvolveram no Brasil. Este modelo de relação de produção privada gera grandes conflitos, devido a desigualdade de posse de capital entre os diferentes indivíduos do mesmo grupo social. Apesar da grande extensão territorial do país e particularmente de Rondônia, alguns personagens da sociedade alheios à produção, detém grandes propriedades de terras, tornado-se elementos estressantes dentro do movimento econômico-espiritual da sociedade. São funcionário públicos como Juízes, Delegados e Oficiais das forças de repressão estatal. Ainda há outros de vocação política como Senadores, Governadores e Deputados. Essa dupla ocupação de posse social é desleal.

Por outro lado, os campesinos que deveriam ter o privilégio dentro da relação econômica vigente, se vêem excluídos do processo de produção agrária, e punidos pelo simples exercício do direito legal de reivindicar a posse da terra. É o caso do distrito de Rio Pardo, Rondônia.  Durante mais de dez anos, investiram suas posses, seu sangue e suor no preparo da terra virgem para a produção de carne bovina. Foram mais de vinte mil alqueires de terras preparadas. Tudo feito aos olhos do governo e da instituição pequeno burguesa, ICMBio. 

A pergunta que não quer calar, é o que motivou os reacionários sistêmicos a invadir Rio Pardo e tomar pela força, o que já se havia conquistado por direito do trabalho. A questão seria moral ou econômica? Se buscarmos na base da sociedade, não vamos encontrar a moral! (leon trotsky). Ela pode ser verificada apenas como um instrumento de coesão sistêmica de classe. Então nos resta o interesse econômico do ICMBio. Como toda instituição pequeno burguesa, ela orbita na fortaleza do encastelado capital. Recebe doações e incentivos para cumprir em um pólo oculto, os ditames de forças estranhas ao campesino e ao proletariado do campo. Por esse motivo, ela se utiliza do braço armado do estado e se arma a si mesma para manter seu status quo, a fim de sobreviver.

Chegando a esta conclusão, entendemos que a força é utilizada em uma batalha para se conquistar território, forçar o inimigo a negociar em condições desvantajosa (sun tzu). É precisamente o que mostra a nossa análise de todo esse processo de violência desencadeado em Rio Parto, pela Força Nacional, que culminou na prisão de vinte e dois trabalhadores inocentes, sendo que doze permanecem presos já à oito meses. Após a força nacional realizar o trabalho sujo de violência, e enfraquecer espiritualmente a comunidade, o ICMBio, faz o seu papel de hiena, querendo devorar o que restou da carcaça. Propôs em condições desvantajosa, ceder parte das terras e se apoderar de milhares de alqueires de mata rica em madeira de lei, a fim de gerar mais capital par si mesmo realizando a extração do outro verde! 

O campesino deve entender que, se produzir é um direito, ocupar é um dever sagrado que deve ser conquistado pela força, se preciso for. Deve compreender o momento histórico em que vivem, e saber que negociar em prejuízo não corresponde em uma vitória. Deve estudar novas estratégias de resistência e permanecer na luta. O patrimônio integral da terra deve pertencer a quem de direito, aquele que nela trabalha, e não aos parasitas de instituições de caráter duvidoso.