Escolhemos o caminho da luta ao da conciliação (vladimir llyitch uliánov lenin)

domingo, 21 de abril de 2013

A DERROTA DO CHAVISMO

A revolução democrática e a perda
de um tempo precioso
E AS LIÇÕES DA HISTÓRIA
   Hugo Chávez de fato não morreu. Ele estará vivo e moldurado na parede  Histórica da América Latina. Poucos tiveram a ousadia de enfrentar com tanto ímpeto, o antagonismo de classe que a natureza sistêmica impõe. Há de se considerar que ele foi um herói. Lutou pela Construção de um sonho que foi interrompido com a sua morte, e que está à um passo do despertar trágico da derrota eminente. Quando a direita reacionária lhe golpeou pelas costas, lhe tomando o mandato democrático ratificado pelo proletariado, estava na verdade ensinando-o a forma correta de se manter o governo. Ela, a direita, estava dizendo abertamente, que existe uma diferença entre assumir o governo e deter poder.
    Chávez voltou ao governo, mas ainda sem o poder. Estava enfraquecido com o recado. Passou a ser mais cauteloso e permitir que a burguesia se reorganizasse e se fortalecesse. Media as palavras, perdeu alguns embates políticos com os EUA, até diminuiu um pouco a exportação de óleo para a América, mas nunca rompendo definitivamente. De certa forma parece ter aprendido que o povo lhe garantiria o governo, mas só o capital lhe daria o verdadeiro poder para governar, nos moldes da "revolução democrática", que escolheu.
    A grande contradição é que não existe revolução democrática. A parcela burguesa da sociedade acostumada com os benesses da riqueza produzida pelo proletariado, jamais vai abrir mão de graça e de bom grado desses privilégios. Chávez esqueceu de olhar para a história, ou se olhou não a observou. Todo processo revolucionário, requer por sua natureza, a violência revolucionária. É neste norte que as transformações de fato acontecem.
    Na revolução Bolivariana, os pilares da burguesia não foram quebrados. A grande industria permaneceu gerando exploração humana, e a reforma agrária foi parcial. O grande capital não foi expropriado, os suportes de comunicação permaneceram nas mãos da burguesia que deram continuidade ao processo de alienação das massas. Esse fato foi fator preponderante, para que um empate técnico quase acontecesse nas eleições de dois mil e doze, entre ele e o representante do capital, Henrrique Caprielles.
    A Revolução Bolivariana construiu os seus alicerces na figura de Chávez, e com ele, ela parece se despedir. Nos convém apenas a lamentar, mas de forma consciente do que já era previsto, porque não foram seguidos os passos históricos requeridos para a libertação de um povo. As etapas não foram executadas a ferro e a fogo como devido. O resultado, é o retorno moralmente vitorioso dos reacionários na figura do Caprieles. Com uma insignificante porcentagem de votos, A História mais uma vez ofereceu aos venezuelanos, através de Nícolas Maduro, a oportunidade da autocritica, e da reorientação do norte revolucionário.
    Estava chovendo forte aqui em PVH esta semana, quando eu fazia uns estudos. De súbito, uma barata voou pela minha janela se fixando na parede. Como convém à lógica, tomei o maior susto desse inseto asqueroso (aliás eu não sei porque tenho esse sentimento pelas baratas, em detrimento de outros insetos). Conforme a tradição, eu peguei um chinelo e krac! la estava ela mortinha da silva, no chão. Fui pegar a vassoura para apressar a despedida do nosso infeliz encontro. Quando voltei ao local do óbito, pasmem! Ela não estava mais lá. Eu julguei tela matado. E agora, onde ela estaria? E se a noite, quando eu estivesse dormindo ela procurasse vingança? Fiquei mais apavorado ainda. Procurei-a incessantemente até encontra-la se debatendo, onde conclui o óbito e me livrei finalmente dessa praga.
Se maduro não souber interpretar a
história, não assumira o poder de fato
    Quando uma parcela da sociedade decide revolucionar suas vidas, sua direção, vai se deparar com inimigos asquerosos de classe. Esse inimigo é poderoso e tal qual uma barata se finge de morto para que possa ter tempo de se reorganizar. Se o proletariado que assume o governo, não decidir assumir o poder de fato, quando menos esperar vai se deparar com a ressurreição de uma classe antes tida como morta. Foi o erro do Chavismo. 
    Chávez uma vez declarou em um discurso: A direita está morta na Venezuela! Tal qual uma barata, ela demonstrou estar viva e operante. Se Maduro não completar com a violência revolucionária o processo que Chaves não concluiu, e seguir a linha democratista, e conciliadora, os obscurantistas reacionários reassumirão o poder no próximo pleito.
    A História não é Pai e não é Mãe. Não é amiga ou inimiga, ela é apenas um livro para os que sabem ler e interpretar.