Escolhemos o caminho da luta ao da conciliação (vladimir llyitch uliánov lenin)

domingo, 17 de junho de 2012

A ARTE DO CAPITAL NA BOLA

A FARSA DO LEGADO DA COPA
Garrincha e Pelé
o futebol arte

   Confesso que o futebol não é o meu esporte predileto. Eu não jogo bem, e nem tenho aquela paixão de "todo brasileiro". Mas quando o assunto envolve dinheiro público disfarçado de investimento, chama a minha atenção e torna-se passivo de considerações.

    Como nasci em sessenta e quatro, tive que conviver com a euforia da "arte do futebol brasileiro". Essa modalidade esportiva foi se tornando a menina dos olhos do sistema. Tornou-se uma espécie de "ópio do povo". O Brasil era o pais do futebol, aliás o único país que praticava essa arte em campo, pois na Europa, os times organizados já usavam a ciência do uso do espaço físico em campo, bem como a distribuição organizada dos atletas, para responderem com mais desempenho. Para os Europeus, o importante seria a vitória e não o esporte em si. A vitória representava lucro, que por sua vez, significava novos investimentos. 

    A técnica Européia se baseava em laçamento de bolas altas, ganhando rapidamente os espaços em campo. Por sua vez, o futebol brasileiro investia na arte individual do drible, fazendo os torcedores delirarem nas arquibancadas. Os grandes representantes dessa modalidade, foram Garrincha, Pele, Rivelino e muitos outros. Apesar desse estilo representar melhor o esporte, estava fadado a superação pelo simples fato de que, o mundo e a arte se preparava para ser englobado no projeto capitalista de que tudo pode ser lucro. O estilo Europeus venceu, e o Brasil aos poucos foi abandonando sua arte em favor do capital. Foi uma forma de sobrevivência do Esporte nacional.

    Com a "criação da FIFA" em mil novecentos e vinte e quatro, se viu o fortalecimento desse esporte na massa proletária de "todo o mundo". E inevitavelmente a participação financeira dos governos interessados em propaganda política. Falar mal da FIFA hoje, ou condenar investimentos com dinheiro do trabalhador, pode destruir qualquer intenção política de um homem. Não é a toa que o orçamento da FIFA para esta copa, está orçado em trinta e oito bilhões. Estamos falando do orçamento oficial que é para Inglês ver. Porém o oficioso...esse o trabalhador não pode ver. Normalmente ele é duplicado ou triplicado.

    Os representantes da burguesia tentam justificar investimentos tão altos, no que eles chamam de Legado da Copa. Ou seja, afirmam que esses eventos trazem toda uma infra-estrutura para a o trabalhador. A prática é diferente. Nos jogos Pan-americanos, a imprensa burguesa divulgou fartamente essa farsa de legado do Pan, e o que vimos no final da contas, no Rio de Janeiro, foi que muito pouco ficou de prático desse investimento vultuoso, e não resta mais nada. Da mesma forma está sendo propagado Legado da Copa. No final das contas, apenas a burguesia sai beneficiada com sua empresas. As empreiteiras são a menina dos olhos dos caciques da política e do capital. Estádios são construídos e reformados sempre com super faturamentos. Rodovias são recapeadas e ou construídas com baixa qualidade, numa maquiagem que não duram dez anos. O importante é o "capital girar". De referência nas mãos da burguesia.

    João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, se referiu aos recurso bilionário como sendo "recursos não contabilizados". Ou seja, recursos oriundo da corrupção. E pasmem, isso é legal!

A ganância da FIFA
    De resto o legado que fica para o proletariado, é o desgosto de volar para casa depois de um pequeno período de euforia, e ver a geladeira vazia. Ir ao mercado e ter que desembolsar três reais  para comprar uma duzia de ovos, que há alguns anos atrás custava sessenta centavos. É ter que enfrentar filas intermináveis para ser atendido num hospital público. É ver seu filho terminar o ensino médio sem saber localizar no mapa do mundo o pais em que mora, devido ao baixo nível do ensino. É esperar por um mísero aumento de salário anual, que logo será devorado pela inflação. Ter que conviver com a violência crescente e proporcional ao aumento pobreza e do desemprego. Conviver também com a violência estatal através do seu braço armado, a policia militar e as forças armadas, como vimos recentemente no Rio de Janeiro.

    De resto, bola no campo e Skol na garganta. Pode ser Antártica, Brahma, Cintra ou quem tiver a propaganda mais arrojada.

    De legado em legado, vive de ilusão o trabalhador. Vive a espera do que não virá, e em sua passividade, ensina a seus filhos a esperar também.