Escolhemos o caminho da luta ao da conciliação (vladimir llyitch uliánov lenin)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

MASSACRE NO RIO

Wellington. A nossa tragédia
AS DOENÇAS DO SISTEMA 
  O Brasil viu exaustivamente pela imprensa sensacionalista burguesa, as cenas de morte de 12 adolescentes em uma escola Carioca no bairro de Realengo. Antes de qualquer critica ao jovem Wellington Menezes de Oliveira, - que foi citado pelo medíocre jornalista Paulo Carvalho, do jornal Expresso, no Rio de Janeiro, como o Monstro de Realengo, e pelo deputado sensacionalista e comediante, Vagner Montes, da rede Record de televisão, como demônio, por ter atirado contra os jovens.  Gostaria de aproveitar o momento oportuno em que o circo da comoção nacional já esta arrefecido, e poder fazer umas considerações sobre a atual conjuntura sócio, cultural e emocional da sociedade de classes em que vivemos. 
    A Sociedade Cristã (diga-se de passagem), e a imprensa, o condenaram de pronto ao fogo do inferno. Mas um olhar apurado e científico pode revelar o que se tornou Wellington. O resultado final de um projeto de sociedade que está fadada a barbárie.
   O modelo de consumo, instituído pela sociedade capitalista burguesa vai além dos manufaturados ou industrializados. Consome-se beleza, voz, olhares, jeito andar, jeito de falar, de relacionar-se amorosa, afetivamente ou amigavelmente... . O problema é que aqueles que não dispõem dos pré-requisitos nesse modelo de consumo, acabam sendo excluídos sociais. Os “feinhos”, os tímidos, os gordinhos, os deficientes... . O preconceito afeta em grande parte a juventude, que já possui uma natureza critica exacerbada. E é de passagem, o alvo principal da formação ideológica burguesa para seus propósitos consumistas. Basta um olhar mais apurado para as telenovelas voltadas para esse público.
   Os princípios construídos com base no individualismo e nos valores morais mercantilistas, como a aparência, a desenvoltura social, o número de pessoas de sua relação e seu nível sócio, cultural e intelectual, torna-se um  peso na vida de um jovem, que ainda não desfruta da maturidade emocional. Esses valores da sociedade capitalista, que passam a ser cobrados a alto preço, acabam atingindo a alguns, de forma mais contundente do que outros. Isso acontece dentro da própria classe em que um individuo é constituído, bem como dentro da família. A ausência de solidariedade, dentro da sua classe social acaba por isolar o homem, que em sua autodefesa, constrói mecanismos de agressão contra seus supostos inimigos, os seus iguais.
     Alguns dos complicadores sociais - revelados pelos colegas e conhecidos -, que afetaram Wellington Foi, fator preponderante para que ele tomasse tal atitude de defesa: “Servia na escola de chacota”. “Não tinha amigos no Orkut”. “Uma única comunidade, (sobre a bíblia)”. “Era chamado de orelhinha”. “Suingue (mancava de uma perna)”. “Bundão da turma”. –quanto às meninas – “Elas, além de zoarem muito o jeito de andar dele e o modo como se vestia, ficavam fingindo ‘dar mole’ e, depois, o ridicularizavam”. O jovem Tiago revelou: "Alguns ex-alunos se sentem culpados sabendo que inocentes pagaram por um ódio que ele sentia pela nossa turma.” Ainda revelou outro amigo: “Ele disse coisas sem sentido sobre problemas na família, sobre se sentir sozinho sempre". "Ele não fazia bagunça, era uma pessoa muito calada”. “Era uma pessoa que se sentasse do seu lado você nem iria notar", O medíocre jornalista do jornal expresso, que durante sua formação parece não ter conseguiu desenvolver uma consciência critica, o chamou de Mané e maluco.
    Bom, com todos esses adjetivos não sei se eu ou você conseguiríamos ser uma pessoa normal. Rejeitado, Wellington só tinha mesmo um caminho. A igreja. A falsa esperança de uma vida melhor na pós-morte. A igreja é a instituição do estado burguês, para onde os fracassados são jogados. É como uma válvula de escape que o sistema coloca para aqueles que não têm esperança, para os que não alcançaram a felicidade vendida pelo sistema, através de mecanismos de alienação formados por profissionais medíocres como o jornalista Paulo Carvalho e Vagner Montes.
   Em uma carta de despedida, Wellington justifica seu insucesso no seio do seu coletivo de classe, resignando-se ao seu próprio mundo virginal de pureza. “os impuros não poderão me tocar”. “Somente os castos que não se envolveram em adultério”. “Nenhum impuro pode ter contato direto com um virgem”. Fugindo da alienação social, foi parar no pântano alienação religiosa. Mas Wellington revela um profundo amor maternal. “Quero ser sepultado ao lado de minha mãe Dicéa”. Parece que a mãe foi o último laço de confiança, o último refugio que lhe restou. Ao lado dela, ele tinha certeza que não seria rejeitado. Wellington ainda revela seu lado humano. “deixei uma casa em Sepetiba .. quero que esse espaço seja doado... existem instituições que cuidam de animais... pois eles são seres muito desprezados... (como se ele mesmo não o fosse), precisam de proteção e carinho do que os seres humanos...” ele de fato foi levado pelo sistema, a, acreditar que as pessoas são más, mas não conseguiu fazer uma análise de sua realidade objetiva e compreender que não são as pessoas que são más, mas o sistema que os tornam ruim. Egoístas, individualistas e toda sorte de istas que se possa imaginar.
    O ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, motivado pela comoção nacional, correu para imprensa em busca de promoção com a tragédia, para dar justificativas no mínimo ridículas. Reforçou a ideia de uma nova campanha pelo desarmamento no Brasil. “Acho que temos uma cruzada pela frente... Temos de lutar muito fortemente contra essa cultura do armamento, contra essa cultura que faz com que pessoas, muitas vezes fora de suas faculdades mentais, cometam esse tipo de atrocidade”.
   Concordo plenamente com o ministro! Mas, antes precisamos lutar contra a cultura da alienação sistêmica. Bem como, precisamos lutar contra a cultura do armamento do estado fascista brasileiro. Pois foram as armas do estado que em trinta anos mataram um milhão de jovens, em sua maioria por atrocidades (como citou o ministro). Por uma burguesia fora de suas faculdades mentais. Dentre as perigosas armas que matam no Brasil, os carros são os piores assassinos. Precisamos também recolher todas as habilitações antes que seja tarde demais. Não é ministro?
    A presidente Dilma Rousseff, também não perdeu a oportunidade, e se apressou em abocanhar a sua fatia do bolo com o sensacionalismo que a imprensa burguesa propagandeou. Ela citou em seu pronunciamento, o termo: “crianças indefesas”, “que não é do nosso Pais ocorrerem esse tipo de crime”, “crianças inocentes que perderam a vida e o futuro”.
    Eu não quero fazer uma critica exacerbada ao discurso da presidenta, mas vamos e convenhamos, ela parece ter tido um lapso de memória. É sim da historia do nosso País ocorrer crimes contra crianças sim. Alguém pode lembrar a ela, crimes como o da candelária! Perpetrados contra crianças pelo estado continuista que ela governa. E quantas outras candelárias acontecem pelo imenso Brasil afora, e ficam impunes?
"A esperança do bem e do mal vem das
antenas de TV "
   Antes da presidenta se preocupar com o “fim do futuro” das doze crianças, - o que é de fato lamentável- deveria em nome delas, afinar os ideais e reivindicações proletárias, e fazer valer um projeto econômico de no mínimo, cobrar altas taxas de quem constitui riquezas no País, afim de que se possa efetuar uma melhor distribuição da renda para aqueles que de fato a produzem: Os pais proletários das crianças que ainda estão vivas, afim de que elas possam ter um futuro mais digno pela frente.
    É preciso cautela antes de condenar o jovem Wellington. Fatos como esse se repetirão ao longo da historia. Quiçá não seja em sua família onde surgirá um novo “monstro”. Pois a monstruosa burguesia e sua imprensa, sempre vão se apressam em condenar os efeitos como causa. No entanto, a causa em si, é fruto da decomposição do cancerígeno estado capitalista burguês, de seus dirigentes que enfrentam uma crise de legitimidade, engodados de corrupção e lascívia.
      A tragédia pessoal do Wellington é a na verdade o reflexo da tragédia política, econômica, moral e social em que vivemos. É a nossa tragédia. É a nossa própria crise de valores, que vez por outra ressurgirá em forma de horror.