Escolhemos o caminho da luta ao da conciliação (vladimir llyitch uliánov lenin)

domingo, 14 de setembro de 2014

PORQUE LULA FOI RUIM PARA O BRASIL - TOMO I -

Lula trilhou a contra-mão da história revolucionária
"Sem margem para mudanças radicais ou revolucionárias, Lula teve como opção, apenas o assistencialismo enquanto plataforma de governo. Em seus oito anos de administração, seguiu como orientação o continuísmo do projeto tucano, que teve sucesso com o plano real e o equilíbrio econômico". 

O ASSISTENCIALISMO

Para fazermos uma crítica de caráter científico,  e não incorrermos no erro do estreito universo da natureza  subjetiva, necessitamos a priori de dois nortes na avaliação. O primeiro é analisar a realidade objetiva de forma imparcial, e o segundo é se abstrair dessa mesma realidade para poder olhar à distância, de forma racional, seus benefícios e ou, suas contradições.

A eleição de Lula foi contagiante para a nação. A burguesia reacionária não ficou tão atônita com o momento histórico, que se assemelhou ao da Venezuela de Chaves, quando ele afirmou que “era o fim da direita na Venezuela”. O que foi uma precipitação do comandante, pois o chavismo hoje se encontra ameaçado por alguns erros amadores cometidos por ele, conforme documento que publiquei anteriormente neste blog. O próprio PT, de tão eufórico, pensou ter realizado uma revolução. O êxtase se estendeu até a Casa Branca nos EUA, quando da primeira visita do presidente. Ele fez questão de usar uma boina, estilo à Che Guevara, com a estrela vermelha do PT. No entanto, os elementos ativos da assessoria do “companheiro Bush”, logo convenceu a comitiva Brasileira de que os americanos não gostavam do estilo Che.

Ninguém sabe o que de fato aconteceu naquela reunião. No entanto, ela não deve ter ido além da simples lembrança ao então presidente Lula, de que ele já havia assinado o consenso de Washington, e mudanças bruscas no leme da Nau Capitânia da América do sul, não seriam permitidas. Este documento reacionário foi uma imposição à América Latina, inclusive ao Brasil, por que deu um norte político e econômico aos interesses das nações Anglo-saxônicas.  Foi a partir de sua assinatura, que se validou a alternância do poder, permitindo então ao PT, assumir o gerenciamento do Estado Burguês Brasileiro.

Com um projeto conciliador e sem margem para mudanças radicais, Lula rebaixou as tarefas revolucionárias, restando como opção, apenas o assistencialismo enquanto plataforma de governo. Em seus oito anos de administração, seguiu como orientação o continuísmo do projeto tucano, que teve sucesso com o plano real e o equilíbrio econômico. A explosão monetária foi possível devido a abertura da economia para a entrada de capital estrangeiro, especulativo. Lula desfrutou em seu governo, da Genesis desenvolvimentista da ideologia Neo Liberal de FHC. Pode-se observar com clareza que o PT não se desviou do projeto revolucionário Brasileiro, porque nunca  teve um, de fato. Fernando Henrique chegou a declarar publicamente: “não há diferenças ideológicas entre o PT e PSDB”.

Sem um norte ideológico, Lula acentuou a crise histórica do proletariado, e optou pelo continuísmo conformista dos projetos burgueses assistencialistas tucano. O primeiro foi a ampliação do programa Bolsa Família. Havia de fato uma demanda contida pelo histórico social de exploração humana, nos sucessivos governos orientados pelo capital. Na prática esse programa trouxe pouco resultado objetivo qualitativo, a despeito das estatísticas bem elaboradas. Seu resultado foi meramente político, elevando Lula ao pedestal dos panteões. O segundo programa foi: Universidade para todos. Esse foi de fato oportunista e caiu como uma luva, agradando a gregos e a troianos.  Ele foi uma exigência do interesse do capital internacional, a fim de ampliar o ciclo de renovação do capital nacional. Abrindo assim, o caminho para os grandes investidores internacionais, em um futuro próximo, depois de estabelecida, claro,  a alienação cultural do ensino privado, superior.
Não há demérito na assistência, criticamos apenas a ajuda permanente.

A principio nos parece, à grosso modo, que todos esses benefícios oriundos dos recursos públicos foram bem direcionados. Que o proletariado, a classe “beneficiada” nos projetos assistencialistas, foi de fato assistida. No entanto, uma avaliação em uma ótica mais crítica e ampliada, logo perceberemos o comportamento struvista, com um claro obscurecimento da consciência de classe, oriunda de diversas contradições conciliadoras que iremos descobrir juntos, na próxima publicação do Tomo II. Entenderemos por que Lula foi um instrumento da democracia burguesa. Por hora nos basta essa introdução para não tornarmos a leitura e o entendimento, cansativos.