Escolhemos o caminho da luta ao da conciliação (vladimir llyitch uliánov lenin)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O EGITO E A DEMOCRACIA BURGUESA

A Falsa Revolução!

   Muhammad Hosni Said Mubarak, o Ex-presidente do Egito deu adeus a seus trinta anos de poder no pais. De 1981 a 2011. Mubarak assumiu o poder após a morte de Anwar Al Sadat, que foi fuzilado por um soldado em pleno desfile militar. A Jihad Islâmica Egípcia assumiu o atentado. Mubarak  vem de uma geração de lideres que teve inicio com Gamal Abdel Nasser. Militar de vertente socialista e com projeto nacionalista. Derrubou o Rei Faruk l em 1952.
   Mubarak fez um governo voltado para os interesses do capitalismo ocidental, contrário ao projeto de Nasser. A parcela da burguesia Egípcia que esteve no poder durante seu governo, acumulou fortunas incompatíveis com a padrão de vida do país. O próprio Hosni, possui uma fortuna calculada em cinquenta bilhões de dólares, espalhados pela Europa e Estados Unidos, segundo institutos de pesquisas contra a corrupção. Dificilmente ele será condenado pelos seus crimes, ou desvios do patrimônio dos trabalhadores Egípcios.
    Os grandes jornais da burguesia, bem como os da esquerda revolucionária, vem tratando o processo de desobediência civil no Egito, como uma Revolução. Isso é falso! não há nenhuma revolução em andamento no pais. O que mais parece é a ascensão da parcela da burguesia que esteve fora do poder  há trinta anos, e vem se organizando politicamente durante esse período. Ela avaliou que seria o momento histórico oportuno para mobilizar as massas, afim de  uma possível derrubada  do governo, após o colapso da Tunísia. A avaliação foi correta e teve sucesso. O ditador deixou o poder no dia 11 de fevereiro, sexta feira.
    Para se ter uma ideia do caráter não revolucionário da desobediência civil no pais, basta observar as declarações dos lideres do processo: "Nós não queremos mudança de sistema". "Buscamos uma manifestação pacífica". Ou seja, os dirigentes pretendem apenas mudar as figuras do governo, é a outra parcela da burguesia que não se beneficiou durante os trinta anos, e agora quer sua vez. O sistema politico e econômico do pais vai continuar, até porque os EUA já declararam que vão apoiar as mudanças, e o império não toma decisões pra perder.
   Algumas avaliações precipitadas, revelam um Egito mais árabe e independente. Apontam para um rompimento de relações com Israel, e o fechamento do canal de Suez. Vamos por parte. Primeiro a sobrevivência e permanência no poder da nova parcela da burguesia que esta assumindo, está vinculada a manutenção das relações com Israel, sem isso, o imperialismo Americano não permitiria sua ascensão.          Segundo, o Egito não possui capacidade de dissuasão militar para fechar o canal de Suez. Apenas Israel, sozinho, seria capaz militarmente, de impedi-lo. E levando em conta que isso afetaria a Europa e os EUA, a tal proposta é inviável, tanto militar como politicamente.
   O que se pode esperar do processo em curso, levando em conta o perfil do dirigente Mohamed El Baradei, do movimento de "esquerda" que provavelmente assumirá o poder, por meio de uma eleição democrática burguesa, não é nada mais do que aconteceu no Brasil com o fim da ditadura militar. Ele levará o pais a uma  abertura ao capital estrangeiro, a desnacionalização da economia o sucateamento da industria nacional, e o continuo empobrecimento do proletariado. Ocidentalizado, fez doutorado pela universidade de Nova Iorque, e sua esposa e filhas vivem em Londres. Caso não seja ele, os EUA e a Europa já devem estar preparando outro. O fato é que o pais será saqueado com um projeto neoliberal. Tanto no Egito como nos países da comunidade islâmica, o que se vê é uma renovação do capital afim de ganhar novo fôlego para novas rodadas de saques. Quem sabe o Irã.
     O grupo de oposição radical Irmandade Muçulmana, seria o único  capaz de se contrapor a um projeto ocidental mais avançado no pais, no entanto, a experiência do Iraque mostrou que os dólares americanos, e uma conversa de pé de ouvido, muda com facilidade os anseios dos grupos mais radicais. As verdinhas nessa hora, fazem a diferença. Conclusão, o fato é que nada mudará na vida do proletário Egípcio.
     Como sempre, as massas são usadas para interesses de classe, suas necessidades e aspirações são ponta de lança para o embate das classes dominantes. O quadro Egípcio assim como no Brasil e em todos os países colonizados  só terá mudanças de fato, quando os movimentos se fizerem ecoar, armando com um fuzil, cada trabalhador.  Só assim, o próprio proletariado poderá definir o nível de liberdade que lhes cabe. Fora disso, é pura utopia!